Mecuburi vive uma crise profunda e prolongada que continua a afectar milhares de cidadãos, sem respostas claras por parte das entidades responsáveis. A degradação da ponte sobre o rio Mecuburi transformou uma infra-estrutura pública essencial num ponto de risco permanente e num espaço de exploração da vulnerabilidade da população.
A ponte, principal via de ligação entre os postos administrativos de Muite, Milhana e Mecuburi, encontra-se em estado avançado de deterioração, impossibilitando uma travessia segura de pessoas e bens. No local, a nossa equipa apurou que cidadãos são obrigados a pagar valores entre 30 e 50 meticais para conseguir atravessar o rio. A cobrança é feita por indivíduos não identificados, que se apresentam como “ajudantes”, havendo relatos consistentes de intimidação e maus-tratos contra quem se recusa a pagar.
A situação agrava-se com a dificuldade de circulação de motorizadas, bicicletas e viaturas pesadas. Durante a investigação, encontravam-se imobilizados um camião e um tractor com mercadorias, incapazes de atravessar, o que compromete o abastecimento e o escoamento de produtos essenciais. Este bloqueio tem impactos directos na economia local e na sobrevivência das famílias.
As consequências sociais são igualmente graves. O arranque do ano lectivo encontra-se ameaçado, com alunos e professores enfrentando sérios obstáculos para chegar às escolas. A campanha agrícola está comprometida, colocando em risco a produção e a segurança alimentar das comunidades.
Serviços básicos tornam-se inacessíveis, aprofundando o isolamento do distrito.
Para além da ponte, a estrada no troço de cerca de 80 quilómetros apresenta um nível de degradação extremo, funcionando como uma barreira adicional ao desenvolvimento. Importa sublinhar que Mecuburi integra uma zona de reserva, onde a circulação forçada por vias alternativas expõe a população a riscos acrescidos, incluindo a presença de animais bravios.
Perante este cenário, permanecem questões sem resposta: quem é responsável pela manutenção da ponte e da estrada? Que medidas concretas estão previstas para travar a cobrança ilegal pela travessia? Que soluções urgentes serão implementadas para garantir o direito à mobilidade, à educação e à actividade agrícola?
A nossa equipa tentou obter esclarecimentos junto das autoridades competentes, mas até ao fecho desta reportagem não houve qualquer pronunciamento oficial. Enquanto persistir o silêncio institucional e a ausência de intervenção, Mecuburi continuará isolado, funcionando menos como um distrito com direitos garantidos e mais como um território esquecido, apesar de albergar uma das maiores reservas naturais do continente africano.

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